Como dimensionar condutores horizontais de águas pluviais (NBR 10844)
Manning para tubo de seção circular parcialmente cheia com a lâmina em 2/3 do diâmetro, a declividade mínima de 0,5 %, o coeficiente n por material e a tabela de capacidade por diâmetro e declividade da NBR 10844. Exemplo resolvido e como o UnMEP Pluv calcula.
O condutor horizontal é o coletor, enterrado ou suspenso, que recebe os condutores verticais (e ralos de pátio, calhas de piso) e leva a água até a saída do lote, a rede pública ou o sistema de infiltração. Diferente da prumada, ele escoa como um canal fechado parcialmente cheio: a água ocupa até 2/3 do diâmetro e o resto é ar. O cálculo é o de Manning, o mesmo das calhas, com a geometria do círculo parcialmente cheio.
O que a NBR 10844 pede
- Seção circular, escoamento com lâmina de 2/3 do diâmetro interno: o tubo não trabalha cheio (item 5.7.2).
- Declividade uniforme, mínima de 0,5 % (item 5.7.1).
- Tabela 4 de capacidade por diâmetro interno (50 a 300 mm) e declividade (0,5 %, 1 %, 2 % e 4 %), calculada por Manning-Strickler com a lâmina em 2/3 e de 0,011, 0,012 e 0,013.
- Inspeções e caixas de areia nas conexões com outras tubulações, nas mudanças de declividade e de direção e, em percursos retilíneos, a cada trecho de 20 m: nas tubulações aparentes a norma pede inspeções (item 5.7.3); nas enterradas, caixas de areia (item 5.7.4).
- A ligação entre o condutor vertical e o horizontal é sempre feita por curva de raio longo, com inspeção ou caixa de areia, esteja o condutor horizontal aparente ou enterrado (item 5.7.5).
Passo 1: vazão de projeto
Some tudo o que chega no trecho: os condutores verticais, as áreas com ralo ligadas direto e os trechos de coletor a montante. Monte os trechos de montante para jusante: o último recebe todos os outros.
Passo 2: a geometria do tubo parcialmente cheio
Para um tubo de diâmetro (m) com lâmina , o ângulo central (rad), a área molhada e o perímetro molhado são:
Com : rad (218,9°), , e a área molhada vale 70,8 % da seção cheia:
Passo 3: Manning
- : vazão que o tubo escoa com a lâmina em 2/3 (L/min);
- : 0,011 para PVC, PEAD, aço e alumínio; 0,012 para ferro fundido e concreto alisado; 0,013 para concreto não alisado;
- : declividade (m/m);
- e em m² e m, do passo 2.
Calculada assim, para , a capacidade de cada diâmetro é:
| DN (mm) | i = 0,5 % | i = 1 % | i = 2 % | i = 4 % |
|---|---|---|---|---|
| 75 | 94 | 133 | 189 | 267 |
| 100 | 203 | 287 | 406 | 574 |
| 125 | 368 | 521 | 736 | 1 041 |
| 150 | 599 | 847 | 1 197 | 1 693 |
| 200 | 1 289 | 1 823 | 2 578 | 3 646 |
| 250 | 2 337 | 3 305 | 4 675 | 6 611 |
| 300 | 3 801 | 5 375 | 7 601 | 10 750 |
A Tabela 4 da NBR 10844 para dá praticamente os mesmos números, com arredondamento (602 em vez de 599 para DN 150 a 0,5 %; 1 300 em vez de 1 289 para DN 200; 10 800 em vez de 10 750 para DN 300 a 4 %), e traz ainda o diâmetro de 50 mm (32, 45, 64 e 90 L/min). Para multiplique por 0,917 e para por 0,846, que são as outras duas colunas da Tabela 4 (DN 100 a 0,5 %: 187 e 173 L/min).
A vazão escoada tem de ser maior que a de projeto. A declividade é a variável que mais rende: de 0,5 % para 1 % a capacidade sobe 41 %; para 2 %, dobra. Um diâmetro comercial acima rende mais ainda (de 100 para 150, 2,9 vezes), mas custa escavação e espaço.
Exemplo resolvido
A residência dos artigos anteriores: o coletor recebe as duas prumadas e leva a água até a saída do lote.
| Grandeza | Símbolo | Valor |
|---|---|---|
| Vazão da prumada norte | 146,5 L/min | |
| Vazão da prumada sul | 194,3 L/min | |
| Vazão que chega ao coletor | 340,8 L/min | |
| Material | PVC | |
| Lâmina de projeto | 2/3 (seção 0,5562 D², raio hidráulico 0,2911 D) | |
| Comprimento até a saída do lote | 30 m |
Tentativa 1: DN 100 a 1 %
Seção molhada e raio hidráulico com a lâmina em 2/3 do diâmetro (passo 2):
Vazão admissível por Manning:
Ocupação do tubo:
Reprovado: o tubo escoa menos do que recebe. A 2 % o mesmo DN 100 chega a 406 L/min (84 %): passa, mas apertado.
Tentativa 2: DN 150 a 0,5 %
Mesmas fórmulas, com m e :
Aprovado, com folga para o pátio que um dia for ligado nele. Outras combinações que servem: DN 150 a 1 % (847 L/min, 40 %) e DN 125 a 1 % (521 L/min, 65 %).
Como o UnMEP Pluv calcula
Na aba Condutores Horizontais, cada cartão é um trecho, com o botão m² (o que chega: áreas, calhas, condutores verticais e outros trechos), Nº Tubos, ØDN, % I e Material:
- Vazão solicitada é a soma das vazões do que está marcado. Um trecho de montante marcado entra com a vazão solicitada inteira dele, que já inclui o que ele recebe.
- Vazão admissível é Manning para a lâmina fixa em 2/3 do diâmetro, com , e exatamente como no passo 2, o do Material (PVC, PEAD, aço e alumínio 0,011; ferro fundido e concreto alisado 0,012; concreto não alisado 0,013), a inclinação de % I (0,5, 1, 2 ou 4 % na lista, ou qualquer valor digitado) e o resultado vezes o Nº Tubos. Os diâmetros vão de 75 a 300 mm.
- O cabeçalho do cartão mostra a porcentagem solicitada ÷ admissível: verde até 74 %, amarelo de 75 % a 99 %, vermelho acima de 100 %.
- Com Redimensionar tubos automaticamente em Sim (Configurações › Condutores Horizontais), ao mudar o que chega, o diâmetro ou a inclinação o Pluv volta o trecho para 1 tubo e acrescenta tubos até ficar em 80 % ou menos. Mudar a inclinação sempre volta o trecho para 1 tubo.
- No memorial, [TABELA_CONDUTORES_HORIZONTAIS] traz código, nome, DN, inclinação, número de tubos e as vazões; [TABELA_DETALHAMENTO_CONDUTORES_HORIZONTAIS] traz de onde vem a vazão, o material e o de cada trecho.


Passo a passo no plugin: Como dimensionar um condutor horizontal? e Como definir os padrões do Pluv (Configurações)?.
Perguntas frequentes
Por que a lâmina é 2/3 e não o tubo cheio? Com 2/3 do diâmetro a área molhada já é 71 % da seção cheia e sobra espaço para o ar escapar, para a chuva acima da de projeto e para a água que entra pelas caixas de areia sem pressurizar o tubo. É a condição que o item 5.7.2 da NBR 10844 fixa.
Qual a declividade mínima do coletor? 0,5 %, pelo item 5.7.1. Em terreno plano, prefira aumentar o diâmetro a reduzir a declividade: abaixo de 0,5 % a areia e as folhas se depositam.
Preciso de caixa de areia? No coletor enterrado, sim: a norma pede nas mudanças de direção e de declividade, nas conexões com outra tubulação e a cada 20 m em trechos retos (item 5.7.4); no coletor aparente, nos mesmos pontos, ela pede inspeções (item 5.7.3). Na chegada de cada condutor vertical a ligação é sempre por curva de raio longo, com inspeção ou caixa de areia (item 5.7.5).
Fontes
- ABNT NBR 10844:1989, Instalações prediais de águas pluviais (item 5.7.1: declividade mínima; 5.7.2 e Tabela 4: lâmina de 2/3 e capacidades; 5.7.3 e 5.7.4: inspeções e caixas de areia; 5.7.5: ligação com os condutores verticais).
- Azevedo Netto, J. M. Manual de Hidráulica. Blucher, 8ª ed. (Manning e seção circular parcialmente cheia).
- Creder, H. Instalações Hidráulicas e Sanitárias. LTC, 6ª ed.
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Atualizado em 14 de outubro de 2026