Área de contribuição e vazão de projeto de águas pluviais (NBR 10844)
Como calcular a área de contribuição de telhados planos, inclinados e paredes expostas ao vento, com as oito superfícies da NBR 10844, e a vazão de projeto Q = I·A/60 em L/min. Exemplo resolvido e como o UnMEP Pluv calcula.
Toda calha, condutor vertical e condutor horizontal é dimensionado para uma vazão de projeto: quantos litros por minuto chegam nele durante a chuva de projeto. Essa vazão sai de dois números: a intensidade pluviométrica (mm/h), da cidade e do período de retorno, e a área de contribuição (m²) da superfície que manda água para a peça.
A área de contribuição não é simplesmente a área do telhado em planta. Um telhado inclinado recebe mais chuva do que a sua projeção horizontal, e uma parede exposta ao vento recebe chuva inclinada e a despeja na cobertura de baixo. A NBR 10844 fecha essas contas com oito casos.
O que a NBR 10844 pede
- Vazão de projeto em L/min: , com em mm/h e em m² (item 5.3.1).
- Área de contribuição: a norma pede que se considerem os incrementos devidos à inclinação da cobertura e às paredes que interceptam água de chuva que também deva ser drenada pela cobertura (item 5.2.1). Para isso traz a Figura 2, com oito superfícies típicas e a fórmula de cada uma.
- Vento: a chuva é considerada inclinada em relação à horizontal com ângulo igual a arc tg 2 (cerca de 63°, Figura 1), na direção que dá mais chuva interceptada pelas superfícies inclinadas ou verticais (item 5.1.5). É daí que sai a metade nas fórmulas das paredes.
- A intensidade vem do período de retorno e da duração de 5 minutos: veja Intensidade pluviométrica.
Passo 1: identificar as superfícies
Divida a cobertura em superfícies: cada água de telhado, cada laje, cada marquise e cada parede que recebe chuva de vento é uma área separada. Para cada uma, escolha o caso da Figura 2 da norma e aplique a fórmula. As medidas são em metros e a área sai em m².
| Figura 2 | Superfície | Medidas | Área de contribuição |
|---|---|---|---|
| a | Plana horizontal (laje, telhado plano) | , | |
| b | Inclinada (água de telhado) | (projeção horizontal), , (altura da água) | |
| c | Plana vertical única (parede exposta) | (altura), (comprimento) | |
| d | Duas paredes opostas, de mesma altura | , | |
| e | Duas paredes opostas, de alturas diferentes | , da maior; , da menor | |
| f | Duas paredes adjacentes e perpendiculares (em L) | , (áreas de cada parede) | |
| g | Três paredes, duas opostas e uma perpendicular (em U) | (altura), (largura) | |
| h | Quatro paredes, uma mais alta | , da parede mais alta |
A lógica das paredes vem do item 5.1.5: com a chuva caindo a arc tg 2 (2 de queda para 1 de avanço horizontal), uma parede de altura intercepta a chuva de uma faixa horizontal de largura , e o vento sopra de um lado por vez, então só metade da parede exposta conta. No caso e, a parede maior "protege" a menor, e conta a diferença (a norma escreve a fórmula para os dois sentidos, sempre a maior menos a menor). No caso b, a inclinação entra pela altura da água: com a inclinação em %, .








Passo 2: vazão de projeto
- : intensidade pluviométrica em mm/h, para o período de retorno da área e 5 minutos de duração;
- : área de contribuição em m², do passo 1.
A divisão por 60 converte mm/h × m² (que dá litros por hora) em litros por minuto, a unidade em que as tabelas e os ábacos da NBR 10844 trabalham (é a fórmula do item 5.3.1).
Cada peça do sistema recebe a soma das áreas que deságuam nela: a calha recebe a água de uma ou mais superfícies; o condutor vertical, a de uma ou mais calhas; o condutor horizontal, a de todos os condutores verticais a montante.
Exemplo resolvido
Residência em São Paulo (SP) com telhado de duas águas, 12 m de comprimento, cada água com 4 m de projeção horizontal e 30 % de inclinação. Sobre a água sul sobe uma parede de 3 m de altura e 12 m de comprimento (um volume mais alto da casa). Intensidade para 5 anos e 5 minutos: mm/h (a conta está em Intensidade pluviométrica).
| Grandeza | Símbolo | Valor |
|---|---|---|
| Comprimento do telhado (cada água) | 12 m | |
| Projeção horizontal de cada água | 4 m | |
| Inclinação do telhado | 30 % | |
| Parede sobre a água sul: altura | 3 m | |
| Parede sobre a água sul: comprimento | 12 m | |
| Intensidade pluviométrica (5 anos, 5 min) | 159,2 mm/h |
Passo 1: áreas de contribuição
Cada água de telhado é o caso b. Altura da água, pela inclinação:
Área de contribuição de cada água:
A parede sobre a água sul é o caso c, com m e m:
Passo 2: vazão de projeto
A calha norte recebe só : 146,5 L/min. A calha sul recebe e a parede: 194,3 L/min. O coletor que junta as duas descidas recebe 340,8 L/min. São essas as vazões que dimensionam as calhas, os condutores verticais e os condutores horizontais nos próximos artigos.
Como o UnMEP Pluv calcula
Na aba Áreas de Captação, cada cartão é uma superfície. Ao clicar nele abre a janela DEFINIÇÃO DE ÁREA: A1:
- Tipo de Superfície lista os oito casos da norma com a mesma letra (a - 01 Superfície Plana Horizontal, b - 01 Superfície Plana Inclinada…) e mais Nenhum, para digitar a área direto. O desenho da janela muda com o tipo e mostra as medidas pedidas.
- As medidas entram nos campos a, b, c, d (metros) e, no caso b, i % e h: ao digitar a ou i, o Pluv calcula (a inclinação já vem com 10 %); se preferir, digite o h medido. No caso f os campos viram A1 e A2, em m².
- A Área é calculada com exatamente as fórmulas da tabela acima. No caso e, se for maior que , o Pluv inverte a subtração para a área não sair negativa.
- A Vazão é , com a intensidade das Definições de Projeto. Toda vez que a cidade, o tempo de retorno, a duração ou a intensidade mudam, todas as áreas são recalculadas, e com elas as calhas e os condutores que as usam.
- No memorial, cada área vai para a tabela do seu tipo de superfície ([TABELA_SUPERFÍCIE_…]) com as medidas digitadas, e para a tabela-resumo [TABELA_AREAS] com código, nome, área e vazão.


Passo a passo no plugin: Como cadastrar uma área de captação? e Entenda: os tipos de superfície e como a área é calculada.
Perguntas frequentes
Uso a área real do telhado ou a projeção? Nem uma nem outra: use a fórmula do caso b, , com a projeção horizontal. Ela fica entre a projeção e a área real da telha, e é o que a NBR 10844 pede (item 5.2.1 e Figura 2).
Toda parede conta? Só as que ficam acima da cobertura que você está dimensionando e expostas à chuva com vento: a platibanda de um volume mais alto, a empena de um vizinho colado, uma torre. Parede que não despeja água na cobertura não entra.
Por que a vazão sai em L/min? Porque as tabelas e os ábacos da NBR 10844 (Tabela 3 de calhas semicirculares, Tabela 4 de condutores horizontais, Figura 3 dos condutores verticais) estão em L/min. Para converter em L/s, divida por 60.
Fontes
- ABNT NBR 10844:1989, Instalações prediais de águas pluviais (item 5.1.5 e Figura 1: inclinação da chuva pelo vento; item 5.2.1 e Figura 2: área de contribuição e as oito superfícies; item 5.3.1: vazão de projeto).
- Creder, H. Instalações Hidráulicas e Sanitárias. LTC, 6ª ed. (capítulo de águas pluviais).
- Macintyre, A. J. Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais. LTC, 4ª ed.
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Atualizado em 14 de outubro de 2026