Documentação técnica

Como dimensionar a rede de hidrantes: hidrante mais desfavorável, perda de carga e K das conexões

O cálculo trecho a trecho da rede de hidrantes, do hidrante mais desfavorável até a bomba: Hazen-Williams (C da tabela 3 da NBR 13714) ou fórmula universal, perdas localizadas pelo coeficiente K de cada conexão, desnível, o segundo hidrante em uso simultâneo e o ponto de encontro. Exemplo resolvido completo e como o UnMEP Ignis calcula.

A rede de hidrantes se dimensiona de trás para a frente: parte-se da pressão mínima que o tipo de sistema exige no hidrante mais desfavorável e soma-se, trecho a trecho até a bomba, tudo o que a água perde no caminho: atrito no tubo, conexões e válvulas, e a altura a vencer. O resultado é a altura manométrica que a bomba precisa fornecer na vazão de projeto. O segundo hidrante em uso simultâneo entra no caminho no ponto de encontro e, dali em diante, as vazões se somam.

Esquema do hidrante mais desfavorável: a coluna, o ramal com tê, cotovelo e válvula, o abrigo, a mangueira e o esguicho, com as perdas de cada parte e onde cada estado exige a pressão mínima

O que a NBR 13714 pede

  • Os dois jatos hidraulicamente mais desfavoráveis funcionam ao mesmo tempo, cada um com no mínimo a vazão da tabela 1 (item 5.3.3); o mais desfavorável é o que dá a menor pressão dinâmica no esguicho (5.3.4). A IT-22 repete a regra (5.8.3) e mede o mais desfavorável pela pressão na saída do hidrante (5.8.4).
  • A velocidade da água não pode passar de 5 m/s em nenhum trecho (5.3.10; IT-22, 5.8.13); na sucção das bombas, de 4 m/s (5.3.9). A IT-22 é mais rígida na sucção: 2 m/s com sucção negativa e 3 m/s com sucção positiva (5.8.12).
  • O cálculo hidráulico é feito por método adequado, mas o resultado tem de satisfazer uma de duas equações (5.3.8): a fórmula universal (Colebrook, com o comprimento virtual de tubos mais conexões) ou Hazen-Williams, com o fator C da tabela 3 da norma. A IT-22 (5.8.11) dá as mesmas duas opções: Darcy-Weisbach com a parcela k v2/2gk\,v^2/2g das conexões, ou Hazen-Williams com comprimento equivalente, e repete a tabela de C (tabela 1 da IT).
  • A tubulação tem DN 65 no mínimo (4.3.1; DN 50 só no tipo 1 com desempenho comprovado, 4.3.2; a IT-22 admite DN 50 nos tipos 1 e 2, 5.11.6.2).
  • A pressão dinâmica em qualquer esguicho não passa do dobro da do mais desfavorável (5.3.6), e recomenda-se não passar de 1 000 kPa em ponto algum do sistema (5.3.7); a IT-22 fixa 100 mca como máximo nos esguichos (5.8.9).

Passo 1: a equação do trecho

Um trecho é um pedaço de rede com a mesma vazão, o mesmo diâmetro e o mesmo material. Andando do hidrante para a bomba:

Hf=Hi+J L+∑K v22g+(zi−zf)H_f = H_i + J\,L + \sum K \, \frac{v^2}{2g} + (z_i - z_f)
  • HiH_i, HfH_f: altura manométrica no início e no fim do trecho (mca). No primeiro trecho, HiH_i é a pressão mínima do tipo (ou a pressão no hidrante depois da mangueira e do esguicho, nos estados que exigem a pressão na ponta do esguicho).
  • JJ: perda de carga unitária (mca/m); LL: comprimento real do trecho (m).
  • ∑K\sum K: soma dos coeficientes de perda localizada das conexões e válvulas do trecho; vv: velocidade (m/s), v=Q/Av = Q/A, com a área pelo diâmetro interno (NBR 13714, 5.3.9).
  • zi−zfz_i - z_f: desnível. Como o cálculo anda para baixo, do hidrante no alto até a bomba embaixo, o desnível soma à altura manométrica.

Passo 2: perda de carga unitária

Hazen-Williams, na forma com QQ em L/min e DD interno em mm. A NBR 13714 (item 5.3.8 b) escreve J=605 Q1,85 C−1,85 d−4,87×105J = 605 \, Q^{1{,}85} \, C^{-1{,}85} \, d^{-4{,}87} \times 10^{5} em kPa/m; a IT-22 (5.8.11.2) escreve a mesma fórmula com 10410^{4} e o resultado em m/m. Com 10 kPa = 1 mca, as duas dão:

J=6,05×106 Q1,85C1,85 D4,87[mca/m]J = 6{,}05 \times 10^{6} \, \frac{Q^{1{,}85}}{C^{1{,}85} \, D^{4{,}87}} \quad [\text{mca/m}]

Em unidades SI, com QQ em m³/s e DD em m, a mesma fórmula fica:

J=10,643 Q1,85 C−1,85 D−4,87J = 10{,}643 \, Q^{1{,}85} \, C^{-1{,}85} \, D^{-4{,}87}

Darcy-Weisbach (a "fórmula universal" da norma), com o fator de atrito ff de Colebrook-White e a rugosidade absoluta ε\varepsilon do tubo:

J=f v22gDJ = f \, \frac{v^2}{2 g D}

As duas fórmulas, o número de Reynolds e a iteração de Colebrook-White estão detalhados em Perda de carga em tubulações de água. O fator C da tabela 3 da NBR 13714 (igual à tabela 1 da IT-22), válido para tubos novos:

Tipo de tubo (tabela 3 da NBR 13714)CC
Ferro fundido ou dúctil sem revestimento interno100
Aço preto, sistema de tubo seco100
Aço preto, sistema de tubo molhado120
Galvanizado120
Ferro fundido ou dúctil com revestimento de cimento140
Plástico150
Cobre150

Os coeficientes que o UnMEP Ignis adota por tipo de tubo:

Tipo de tuboCC (Hazen-Williams)ε\varepsilon (Darcy-Weisbach)
Aço com rosca BSP ou NPT1200,016 mm
Aço ranhurado (grooved)1200,016 mm
PEAD1200,0041 mm
PVC e outros1200,06 mm
Mangueira1500,06 mm

Para o aço, o C = 120 do Ignis é o da norma (aço preto em sistema molhado e galvanizado). Para PEAD e PVC a norma dá 150 (plástico); o Ignis vem com 120 a favor da segurança, e o valor é editável nas Configurações de Cálculo. Em Darcy-Weisbach com 0,016 mm o aço sai bem mais liso que com C = 120, e a perda cai a dois terços; se usar Darcy, adote a rugosidade de tubo envelhecido.

Passo 3: perdas localizadas pelo coeficiente K

Cada conexão, válvula ou acessório perde K v2/2gK\,v^2/2g. Diferente da água fria, em que se usa comprimento equivalente, o cálculo de incêndio costuma usar o K diretamente, porque ele não depende do diâmetro; é a forma da fórmula de Darcy-Weisbach da IT-22 (5.8.11.1). Os valores de K não estão nas normas: os que o UnMEP Ignis traz para as famílias da biblioteca UnMEP:

Conexão ou acessórioKK
Cotovelo 90° (rosca BSP ou NPT, PEAD)0,90
Cotovelo 45°0,40
Curva 90° / 45° (grooved, raio curto)0,40 / 0,20
Cotovelo de redução 90° / 45°1,05 / 0,55
Tê ou cruzeta, passagem direta0,90
Tê ou cruzeta, saída lateral2,00
Tê de redução, direta / lateral1,05 / 2,15
Luva, flange, adaptador0,03
União, contraporca, niple0,40
Niple de redução0,55
Bucha ou redução concêntrica0,15
Luva de redução0,18
Registro de gaveta0,20
Válvula esfera0,30
Registro globo angular, válvula do hidrante5,00
Válvula de pé com crivo1,75
Válvula de retenção (horizontal, vertical ou universal)2,50
Cap, bujão, tampão0

Passo 4: o segundo hidrante e o ponto de encontro

O hidrante mais desfavorável (H1H_1) é calculado até o ponto onde o ramal do segundo hidrante (H2H_2) entra no mesmo tubo: o ponto de encontro (PE). Nesse ponto a pressão é uma só. O ramal de H2H_2 é mais curto ou mais baixo, então, com a vazão mínima, ele chegaria ao PE com pressão menor que a de H1H_1; como a pressão é a mesma, H2H_2 está com mais pressão que o mínimo e joga mais água. A vazão real de H2H_2 sai da lei do esguicho:

Q2=QminP2PminQ_2 = Q_{min} \sqrt{\frac{P_2}{P_{min}}}

com P2P_2 a pressão disponível no hidrante 2 (a pressão no PE menos as perdas do ramal com Q2Q_2; resolve-se em duas ou três iterações). Do PE até a bomba a vazão é Q1+Q2Q_1 + Q_2. A IT-22 (5.8.15) admite, no equilíbrio das pressões no ponto de derivação para os dois hidrantes mais desfavoráveis, uma diferença de até 0,50 mca.

Passo 5: sucção e NPSH

Do lado da sucção, da bomba até a reserva, a conta continua: perdas do tubo, da válvula de pé com crivo e das conexões, mais o desnível entre o eixo da bomba e o nível mínimo da reserva (positivo se a reserva está abaixo da bomba, negativo se a bomba está afogada). A altura manométrica total é a soma do recalque e da sucção. O NPSH disponível verifica se a bomba consegue puxar a água sem cavitar:

NPSHd=Patm−Pv−(hs+Δhs)=10−0,27−(hs+Δhs)NPSH_d = P_{atm} - P_v - \left( h_{s} + \Delta h_{s} \right) = 10 - 0{,}27 - (h_s + \Delta h_s)

com hsh_s a altura de sucção (m) e Δhs\Delta h_s as perdas na sucção (mca), 10 mca de pressão atmosférica ao nível do mar e 0,27 mca de pressão de vapor da água a 20 °C. Ele tem de ser maior que o NPSH requerido da bomba, com folga. A IT-22 (5.8.16) exige esse cálculo sempre que a bomba está em sucção negativa e manda fazê-lo com 1,5 vez a vazão nominal do sistema.

Exemplo resolvido

O edifício de escritórios de 4 pavimentos em São Paulo, sistema tipo 3: 200 L/min e 40 mca na válvula do hidrante mais desfavorável. Rede em aço galvanizado DN 65 (interno 68,8 mm), Hazen-Williams com C = 120 (tabela 3 da NBR 13714). Um hidrante por pavimento junto à escada; H1 no 4º pavimento, com a válvula na cota +10,2 m; H2 no 3º, na cota +7,2 m. Bomba no térreo, cota 0,0; reserva técnica enterrada com nível mínimo na cota −2,0 m.

GrandezaSímboloValor
SistemaTipo 3IT-22 (SP)
Vazão mínima por hidranteQminQ_{min}200 L/min (0,00333 m³/s)
Pressão mínima na válvula do hidrante mais desfavorávelPminP_{min}40 mca
Tubo da redeDN 65aço galvanizado, interno D=68,8D = 68{,}8 mm (raio 0,0344 m)
Fator de Hazen-WilliamsCC120 (tabela 3 da NBR 13714)
Cota da válvula de H1 (4º pavimento)zH1z_{H1}+10,2 m
Cota da válvula de H2 (3º pavimento)zH2z_{H2}+7,2 m
Cota da bomba (térreo)zBz_{B}0,0 m
Nível mínimo da reserva técnicazRTIz_{RTI}−2,0 m
Aceleração da gravidadegg9,81 m/s² (2g=19,622g = 19{,}62)
Trecho A-B: ramal de H1 (200 L/min)

4,0 m de tubo; válvula angular do hidrante (K 5,0), dois cotovelos 90° (2 × 0,9) e tê de saída lateral na coluna (2,0): ∑K=8,8\sum K = 8{,}8. Sem desnível.

Velocidade no tubo, com QQ em m³/s e o raio interno em m:

v=Qπ (D/2)2\boldsymbol{v = \frac{Q}{\pi \, (D/2)^2}}v=0,00333π×0,03442=0,897 m/sv = \frac{0{,}00333}{\pi \times 0{,}0344^2} = 0{,}897 \text{ m/s}

Perda unitária por Hazen-Williams, com QQ em L/min e DD em mm:

J=6,05×106 Q1,85C1,85 D4,87\boldsymbol{J = 6{,}05 \times 10^{6} \, \frac{Q^{1{,}85}}{C^{1{,}85} \, D^{4{,}87}}}J=6,05×106×2001,851201,85×68,84,87=0,0175 mca/mJ = 6{,}05 \times 10^{6} \times \frac{200^{1{,}85}}{120^{1{,}85} \times 68{,}8^{4{,}87}} = 0{,}0175 \text{ mca/m}

Equação do trecho, da válvula de H1 (A) até a coluna (B):

Hf=Hi+J L+∑K v22g+(zi−zf)\boldsymbol{H_f = H_i + J\,L + \sum K \, \frac{v^2}{2g} + (z_i - z_f)}HB=40+0,0175×4,0+8,8×0,897219,62+0=40+0,07+0,36=40,43 mcaH_B = 40 + 0{,}0175 \times 4{,}0 + 8{,}8 \times \frac{0{,}897^2}{19{,}62} + 0 = 40 + 0{,}07 + 0{,}36 = 40{,}43 \text{ mca}
Trecho B-C: coluna do 4º ao 3º pavimento (200 L/min)

3,0 m de tubo vertical; tê de passagem direta no PE (K 0,9); desnível 10,2−7,2=3,010{,}2 - 7{,}2 = 3{,}0 m.

Mesma equação do trecho, com L=3,0L = 3{,}0 m, ∑K=0,9\sum K = 0{,}9 e v2/2g=0,041v^2/2g = 0{,}041 m:

HC=40,43+0,0175×3,0+0,9×0,041+3,0=43,52 mcaH_C = 40{,}43 + 0{,}0175 \times 3{,}0 + 0{,}9 \times 0{,}041 + 3{,}0 = 43{,}52 \text{ mca}

Essa é a pressão no ponto de encontro com H2.

Hidrante H2: vazão real

O ramal de H2 é igual ao de H1 (4,0 m, ∑K=8,8\sum K = 8{,}8). Com 200 L/min ele perde 0,43 mca, então a pressão na válvula de H2 seria 43,52−0,43=43,0943{,}52 - 0{,}43 = 43{,}09 mca, acima dos 40 mca mínimos. Pela lei do esguicho:

Q2=QminP2Pmin\boldsymbol{Q_2 = Q_{min} \sqrt{\frac{P_2}{P_{min}}}}Q2=20043,0940=207,6 L/minQ_2 = 200 \sqrt{\frac{43{,}09}{40}} = 207{,}6 \text{ L/min}

Recalculando a perda do ramal com 208 L/min ela sobe para 0,47 mca e Q2Q_2 converge em 208 L/min. Do PE para baixo a vazão é 200+208=408200 + 208 = 408 L/min.

Trecho C-D: do PE até a bomba (408 L/min)

7,2 m de coluna até o térreo mais 8,0 m horizontais até a bomba: 15,2 m. Dois cotovelos 90° (1,8), tê de passagem direta do dispositivo de recalque (0,9), válvula de retenção (2,5) e registro de gaveta (0,2): ∑K=5,4\sum K = 5{,}4. Desnível 7,2 m.

Mesmas fórmulas de velocidade e de Hazen-Williams, com Q=408Q = 408 L/min (0,00680 m³/s):

v=1,829 m/sJ=0,0655 mca/mv22g=0,1705 mv = 1{,}829 \text{ m/s} \qquad J = 0{,}0655 \text{ mca/m} \qquad \frac{v^2}{2g} = 0{,}1705 \text{ m}

Mesma equação do trecho, do PE (C) até a bomba (D):

HD=43,52+0,0655×15,2+5,4×0,1705+7,2H_D = 43{,}52 + 0{,}0655 \times 15{,}2 + 5{,}4 \times 0{,}1705 + 7{,}2HD=43,52+1,00+0,92+7,2=52,64 mcaH_D = 43{,}52 + 1{,}00 + 0{,}92 + 7{,}2 = 52{,}64 \text{ mca}

Por Darcy-Weisbach com 0,016 mm, nesse trecho Re=125 000Re = 125\,000, f=0,0185f = 0{,}0185 e J=0,0458J = 0{,}0458 mca/m: a perda distribuída cairia de 1,00 para 0,70 mca.

Sucção D-RTI e NPSH (408 L/min)

5,0 m de tubo DN 65; válvula de pé com crivo (1,75), cotovelo (0,9) e registro (0,2): ∑K=2,85\sum K = 2{,}85. Nível mínimo da reserva 2,0 m abaixo da bomba (sucção negativa). A velocidade na sucção, 1,83 m/s, fica abaixo dos 2 m/s da IT-22 (5.8.12).

Perdas na sucção (mesmos JJ e v2/2gv^2/2g do trecho C-D):

Δhs=J L+∑K v22g\boldsymbol{\Delta h_s = J\,L + \sum K \, \frac{v^2}{2g}}Δhs=0,0655×5,0+2,85×0,1705=0,33+0,49=0,81 mca\Delta h_s = 0{,}0655 \times 5{,}0 + 2{,}85 \times 0{,}1705 = 0{,}33 + 0{,}49 = 0{,}81 \text{ mca}

Altura manométrica da bomba, somando ao recalque as perdas e a altura de sucção hsh_s:

Hman=HD+Δhs+hs\boldsymbol{H_{man} = H_D + \Delta h_s + h_s}Hman=52,64+0,81+2,0=55,5 mcaH_{man} = 52{,}64 + 0{,}81 + 2{,}0 = 55{,}5 \text{ mca}

NPSH disponível:

NPSHd=Patm−Pv−(hs+Δhs)\boldsymbol{NPSH_d = P_{atm} - P_v - (h_s + \Delta h_s)}NPSHd=10−0,27−(2,0+0,81)=6,9 mcaNPSH_d = 10 - 0{,}27 - (2{,}0 + 0{,}81) = 6{,}9 \text{ mca}

Com 1,5 vez a vazão, como pede a IT-22 (612 L/min), as perdas da sucção sobem para 1,79 mca:

NPSHd=10−0,27−(2,0+1,79)=5,9 mcaNPSH_d = 10 - 0{,}27 - (2{,}0 + 1{,}79) = 5{,}9 \text{ mca}

A bomba precisa dar 408 L/min a 55,5 mca, com NPSH requerido abaixo de 5,9 mca. A escolha está em Bomba de incêndio. Todas as velocidades ficaram abaixo de 5 m/s.

Como o UnMEP Ignis calcula

O botão Calcular da aba Hidrantes faz os cinco passos lendo a rede do Revit:

  1. Sistemas e hidrantes. Agrupa os hidrantes (famílias com UnMEP: Código da Família INC021 ou INC022) pelo sistema de tubulação do Revit e conta as motobombas (INC002 a INC020) ligadas a cada sistema. Grava a vazão mínima do tipo em UnMEP: Vazão de cada hidrante e lê a vazão de cada tubo do próprio Revit.
  2. Caminho de cada hidrante. Para cada hidrante, percorre os conectores até a bomba e, se houver mais de um caminho, fica com o de maior perda. Divide o caminho em trechos a cada mudança de diâmetro, de tipo de tubo, de vazão ou logo depois de um tê; cada trecho recebe o comprimento real dos tubos, a soma dos K das conexões (tabela acima; K de família de fora da biblioteca vem das Configurações de Perda de Carga ou é zero e abre a janela Conexões/Acessórios sem K definido), as cotas inicial e final e a rugosidade pelo nome do tipo de tubo (grooved, NPT e PEAD têm valor próprio; todo o resto usa "Outros").
  3. Hidrante crítico. O hidrante cujo caminho tem a maior soma de perdas e desnível é o crítico (H1). Os trechos dele são calculados com a equação do passo 1, pelo método das Configurações de Cálculo (Hazen-Williams, padrão, ou Darcy-Weisbach com Colebrook-White resolvida por Newton-Raphson), começando pela pressão mínima do tipo.
  4. Hidrante impactante. Testa os outros hidrantes do sistema em par com o crítico (todos, ou só os N mais desfavoráveis, conforme as Configurações de Hidrantes) e escolhe o par de maior perda combinada: é o impactante (H2). Acha o ponto de encontro dos dois caminhos e equilibra o ramal de H2: sobe a vazão dele (passos de 0,05 L/min e, depois, método da secante) até a pressão no PE igualar a do caminho de H1. Do PE em diante os trechos recebem a soma das vazões. O crítico e o impactante não têm a vazão reduzida: só o segundo sobe.
  5. Sucção e resultado. Da bomba percorre a sucção até o fim do último tubo dentro da reserva, soma perdas e desnível e entrega, por sistema, a Hmanométrica (a altura manométrica total) e o NPSHd (10−0,27−10 - 0{,}27 - perdas e desnível da sucção). Grava o nome de cada trecho em UnMEP: Trecho dos tubos, a vazão final em UnMEP: Vazão dos hidrantes e das bombas, e monta o memorial com as colunas Trecho, Q, DN, V, PCUNIT, HInicial, HFinal, ΔH, HMa, C Real, K, Distribuída, Localizada, Perda de Carga e HMFinal, com alerta nas linhas com V acima de 5 m/s.
A aba Hidrantes antes do cálculo: o tipo do sistema no alto e a tabela que vai receber Hmanométrica e NPSHd de cada sistema
A aba Hidrantes antes do cálculo: o tipo do sistema no alto e a tabela que vai receber Hmanométrica e NPSHd de cada sistema
Configurações de Cálculo: Hazen-Williams ou Darcy-Weisbach e o C (ou a rugosidade) de cada tipo de tubo
Configurações de Cálculo: Hazen-Williams ou Darcy-Weisbach e o C (ou a rugosidade) de cada tipo de tubo

Passo a passo no plugin: Como preparar o modelo para o cálculo de hidrantes?, Como dimensionar os hidrantes?, Entenda: o memorial de cálculo dos trechos, Como cadastrar o K de conexões e acessórios sem K?, Como escolher à mão os hidrantes do cálculo? e Entenda: as Configurações do Ignis.

Perguntas frequentes

Qual é o hidrante mais desfavorável? O que exige mais altura manométrica da bomba: em geral o mais alto e mais distante, mas é a soma de perda de carga e desnível que decide, não a distância. Num edifício, costuma ser o do último pavimento; o segundo é o do pavimento abaixo.

Hazen-Williams ou Darcy-Weisbach para incêndio? As duas são aceitas pela NBR 13714 (5.3.8) e pela IT-22 (5.8.11). Hazen-Williams com o C = 120 da tabela 3 para aço galvanizado ou preto é o padrão e dá resultado a favor da segurança. Darcy-Weisbach é mais geral, mas depende de uma rugosidade realista para tubo usado.

Qual o diâmetro mínimo da rede de hidrantes? DN 65, pela NBR 13714 (4.3.1) e pela IT-22 (5.11.6.1); DN 50 só no tipo 1 (norma) ou nos tipos 1 e 2 (IT-22). Dentro disso, o que mantém a velocidade abaixo de 5 m/s e fecha a pressão com a bomba disponível: com dois hidrantes de 150 L/min (300 L/min), DN 65 dá 1,3 m/s; DN 50 daria 2,4 m/s e o dobro e meio da perda.

Fontes

  • ABNT NBR 13714:2000, Sistemas de hidrantes e de mangotinhos para combate a incêndio (itens 4.3, 5.3.3 a 5.3.10 e tabela 3, fator C; fórmula de Hazen-Williams com Q em L/min e D em mm).
  • CBPMESP, Instrução Técnica nº 22/2019, Sistemas de hidrantes e de mangotinhos para combate a incêndio (itens 5.8.3 a 5.8.16, tabela 1 de C, 5.11.6).
  • Porto, R. M. Hidráulica Básica. EESC-USP, 2006 (Darcy-Weisbach, Colebrook-White, perdas localizadas por K).
  • Azevedo Netto, J. M. Manual de Hidráulica. Blucher, 8ª ed. (Hazen-Williams e coeficientes K).
  • Brentano, T. Instalações hidráulicas de combate a incêndios nas edificações. EDIPUCRS, 4ª ed., 2011.

Mais em Incêndio

Atualizado em 14 de outubro de 2026