Como dimensionar a fossa séptica: volume útil, tempo de detenção e lodo (NBR 17076 e NBR 7229)
A fórmula do volume útil do tanque séptico, a contribuição diária por tipo de uso, o tempo de detenção pela vazão, a taxa de acumulação de lodo pela temperatura e pelo intervalo de limpeza, e a geometria permitida. Com exemplo resolvido para uma residência de 5 pessoas e como o UnMEP Slope calcula.
A fossa séptica (tanque séptico) é um tanque fechado em que o esgoto fica parado o tempo suficiente para os sólidos decantarem no fundo, a gordura flutuar como escuma e as bactérias anaeróbias digerirem o lodo. O volume precisa guardar o esgoto de um dia (ou menos, em tanques grandes) mais o lodo que se acumula entre uma limpeza e outra. É a primeira unidade de qualquer tratamento individual; depois dela vêm o filtro anaeróbio e a disposição no solo.
O que a norma pede
O anexo A da NBR 17076:2024 mantém o método da NBR 7229:1993: o volume útil vem da contribuição diária, do tempo de detenção e da acumulação de lodo, com um acréscimo fixo de 1 000 L que se repete para cada tanque em paralelo (A.2), o que já garante que nenhum tanque fique abaixo disso. O anexo vale até 12 000 L/dia (A.1). A fossa recebe todo o esgoto da edificação (o da cozinha depois da caixa de gordura), nunca água de chuva nem despejo de piscina ou de lavagem de reservatório (NBR 17076:2024, 4.7.2; já era assim na NBR 7229:1993, 4.3.2). A geometria tem limites (A.3): profundidade útil por faixa de volume (tabela A.3), diâmetro interno mínimo de 1,10 m no tanque cilíndrico, largura interna mínima de 0,80 m e relação comprimento/largura de 2:1 a 4:1 no tanque prismático retangular.
Passo 1: contribuição diária
com o número de pessoas (ou unidades) e a contribuição por unidade, da tabela de tipos de uso: 160, 130 e 100 L/pessoa·dia em residências de padrão alto, médio e baixo.
Passo 2: tempo de detenção
Quanto maior a vazão, menor o tempo que o esgoto fica no tanque (tabela A.1, períodos mínimos):
| Contribuição diária (L/dia) | T (dias) |
|---|---|
| até 1 500 | 1,00 |
| 1 501 a 3 000 | 0,92 |
| 3 001 a 4 500 | 0,83 |
| 4 501 a 6 000 | 0,75 |
| 6 001 a 7 500 | 0,67 |
| 7 501 a 9 000 | 0,58 |
| 9 001 a 12 000 | 0,50 |
Passo 3: taxa de acumulação de lodo
, em dias, representa quantos dias de lodo fresco o tanque precisa guardar. Depende do intervalo entre limpezas e da temperatura média do mês mais frio (mais frio, digestão mais lenta, mais lodo), pela tabela A.2:
| Intervalo de limpeza | t ≤ 10 °C | 10 < t ≤ 20 °C | t > 20 °C |
|---|---|---|---|
| 1 ano | 94 | 65 | 57 |
| 2 anos | 134 | 105 | 97 |
| 3 anos | 174 | 145 | 137 |
| 4 anos | 214 | 185 | 177 |
| 5 anos | 254 | 225 | 217 |
Passo 4: volume útil
A equação do item A.2 (a norma escreve onde aqui está ):
- : volume útil (L);
- : número de pessoas ou unidades;
- : contribuição de esgoto (L/unidade·dia);
- : tempo de detenção (dias);
- : taxa de acumulação de lodo (dias);
- : contribuição de lodo fresco (L/unidade·dia): 1 L em residências e hotéis, 0,20 a 0,30 em escritórios, escolas e fábricas, da mesma tabela.
A parcela é o esgoto que fica no tanque; a parcela é o lodo acumulado até a próxima limpeza. Com tanques em paralelo, divide-se a contribuição e aplica-se a equação, com os seus 1 000 L, a cada tanque; com ocupações diferentes, somam-se as contribuições e adota-se um único tempo de detenção (A.2).
Passo 5: geometria
Profundidade útil por faixa de volume (tabela A.3):
| Volume útil (L) | Profundidade útil mínima | máxima |
|---|---|---|
| até 6 000 | 1,20 m | 2,20 m |
| 6 000 a 10 000 | 1,50 m | 2,50 m |
| acima de 10 000 | 1,80 m | 2,80 m |
Tanque cilíndrico: , com m (A.3 b). Tanque prismático retangular: , com comprimento entre 2 e 4 vezes a largura (A.3 d) e largura de pelo menos 0,80 m (A.3 c). O volume adotado tem de ser igual ou maior que o calculado. O projeto indica diâmetro ou medidas internas, altura total, altura útil e volume útil (A.3), e o tanque tem tubo-guia de no mínimo 0,15 m até 2/3 da altura útil para retirar o lodo e tampa de inspeção de no mínimo 0,60 m sobre a entrada (A.5).
Exemplo resolvido
Residência de padrão médio com 5 pessoas, em cidade onde o mês mais frio tem média de 24 °C, limpeza anual.
| Grandeza | Símbolo | Valor |
|---|---|---|
| Número de pessoas | 5 | |
| Contribuição por pessoa (residência de padrão médio) | 130 L/pessoa·dia | |
| Contribuição de lodo fresco (residência) | 1 L/pessoa·dia | |
| Temperatura média do mês mais frio | 24 °C | |
| Intervalo de limpeza | — | 1 ano |
Passo 1: contribuição diária
Passo 2 e 3: T e K
650 L/dia está na faixa de até 1 500: dia. Limpeza a cada 1 ano com mês mais frio acima de 20 °C: dias. Lodo fresco de residência: L/pessoa·dia.
Passo 4: volume útil
Passo 5: geometria
Até 6 000 L: profundidade útil entre 1,20 e 2,20 m. Tanque prismático de 0,90 × 1,80 × 1,20 m (relação 2:1, largura acima de 0,80 m):
logo acima do mínimo. Com mais folga, o tanque de 1,20 × 2,50 × 1,50 m da foto abaixo dá 4 500 L. Em tanque cilíndrico, Ø 1,20 m com 1,80 m úteis:
Para comparar, 10 pessoas em padrão alto, com limpeza a cada 2 anos e mês mais frio a 18 °C: L/dia, , , e L.
Como o UnMEP Slope calcula
Na aba Sistemas de Tratamento Individual, o cartão Fossa Séptica (FS1) abre a janela Fossa Séptica:
- Contribuição: o Slope soma todas as contribuições da primeira coluna da esteira ( de cada uma) e, para cada uma, aplica o da tabela do passo 2 pela contribuição daquela edificação.
- Temperatura Média do Mês mais Frio (de fábrica 24 °C) e Intervalo de Limpeza da Fossa Séptica (1 a 5 anos, de fábrica 1) escolhem o na tabela do passo 3, exatamente com os cortes em 10 °C e 20 °C.
- Volume Mínimo Calculado da Fossa = , com o de cada contribuição. Profundidade Útil Mínima e Máxima vêm da tabela do passo 5 pelo volume calculado.
- Tipo de Geometria da Fossa Séptica: Prismática (Largura, Comprimento, Profundidade) ou Circular (Diâmetro Ø, Profundidade). O Volume Adotado da Fossa é calculado na hora. Se ficar abaixo do mínimo, aparece O Volume adotado está abaixo do mínimo.; se o diâmetro for menor que 1,10 m, O diâmetro mínimo deve ser de >= 1,10m conforme item A.3 (A) DA NBR 17076/2024. (na norma o diâmetro mínimo é a alínea b) de A.3; a alínea a) é a profundidade útil); se a relação comprimento/largura sair de 2 a 4, A proporção comprimento/largura não atende o item A.3 (D) DA NBR 17076/2024.. O Slope não confere a largura mínima de 0,80 m (A.3 c) nem a profundidade adotada contra a faixa da tabela A.3: confira à mão.
- Aplicar Familias insere a família UnMEP_PH_ESG_Fossa Circular Com Anel de Concreto ou Fossa Retangular Moldada in Loco onde você clicar e grava UnMEP: Profundidade Útil, Largura de Caixas e Sistemas e Comprimento de Caixas e Sistemas. O memorial em Word traz a fórmula, as tabelas e o volume, citando o item A.2 da NBR 17076:2024.


Passo a passo no plugin: Como dimensionar fossa, filtro e sumidouro?, Como aplicar as famílias do tratamento no projeto? e Como gerar o memorial de cálculo?.
Perguntas frequentes
Qual o tamanho da fossa séptica para 5 pessoas? Em residência de padrão médio, com limpeza anual e clima quente, 1 935 L de volume útil: um tanque de 0,90 × 1,80 × 1,20 m já atende. A parcela fixa de 1 000 L da equação (A.2 da NBR 17076:2024) garante que nenhum tanque tenha menos que isso.
Fossa séptica precisa de limpeza? Precisa, no intervalo que entrou no cálculo. Dimensionada para 1 ano e limpa a cada 3, o lodo toma o lugar do esgoto, o tempo de detenção cai e o efluente sai bruto.
Fossa séptica e fossa negra são a mesma coisa? Não. A fossa negra é um buraco sem fundo que infiltra esgoto bruto e contamina o lençol; é proibida. A fossa séptica é estanque, trata e manda o efluente para o filtro e o sumidouro.
Por que a temperatura entra no cálculo? A digestão anaeróbia é mais lenta no frio: o lodo se acumula mais e o tanque precisa de mais volume para o mesmo intervalo de limpeza.
Fontes
- ABNT NBR 17076:2024, Sistemas de tratamento individual de esgoto sanitário: projeto, construção e operação (anexo A: equação A.2, tabelas A.1, A.2 e A.3, itens A.3 e A.5).
- ABNT NBR 7229:1993, Projeto, construção e operação de sistemas de tanques sépticos (norma anterior; tabela 1 de contribuições, tabelas 2, 3 e 4 e item 5.9, iguais às da 17076).
- Jordão, E. P.; Pessôa, C. A. Tratamento de Esgotos Domésticos. ABES, 8ª ed., 2017.
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Atualizado em 14 de outubro de 2026