Documentação técnica

Sistemas de tratamento individual de esgoto: fossa séptica, filtro anaeróbio e disposição no solo (NBR 17076)

Quando a edificação não tem rede pública coletora, o esgoto passa por tratamento individual: fossa séptica, filtro anaeróbio e disposição final no solo por sumidouro ou valas de infiltração, ou alternativas como biodigestor e círculo de bananeiras. O que a norma exige, a contribuição diária por tipo de uso e a sequência de cálculo.

Onde não há rede pública coletora de esgoto, a edificação não pode lançar o esgoto bruto no solo nem em curso d'água: ela precisa de um sistema de tratamento individual, dimensionado para a sua população e para o seu solo. A NBR 17076:2024 é a norma atual e reúne, nos seus anexos, o que antes estava na NBR 7229:1993 (tanque séptico) e na NBR 13969:1997 (tratamento complementar e disposição final), com as mesmas fórmulas e tabelas de dimensionamento; mudaram algumas medidas mínimas, como o diâmetro do sumidouro. Os anexos valem para sistemas de até 12 000 L/dia e 3,80 kg DBO/dia.

Esquema do tratamento individual: fossa séptica com escuma, zona de decantação e lodo, filtro anaeróbio de fluxo ascendente com leito de brita, e sumidouro com paredes perfuradas sobre o lençol freático

A sequência

  1. Fossa séptica (tanque séptico): recebe todo o esgoto da edificação, decanta os sólidos e digere o lodo. Volume pela contribuição diária, pelo tempo de detenção e pela acumulação de lodo.
  2. Filtro anaeróbio: tratamento complementar, reduz a carga orgânica do efluente da fossa. Volume útil pela contribuição e pelo tempo de detenção.
  3. Disposição final no solo: o efluente tratado infiltra por sumidouro ou por valas de infiltração, com área dada pela taxa de infiltração do solo medida em ensaio.

Alternativas que o UnMEP Slope também dimensiona: o biodigestor (fossa e filtro num único reator pré-fabricado) e o círculo de bananeiras (bacia de evapotranspiração), que dispensa o sumidouro onde o solo não infiltra.

O esgoto da pia de cozinha chega à fossa só depois da caixa de gordura, e águas pluviais nunca entram no sistema.

Contribuição diária por tipo de uso

Todos os sistemas partem da contribuição de esgoto (CC, em litros por unidade por dia) e, para a fossa, da contribuição de lodo fresco (LfL_f). A NBR 17076:2024 (item 5.11.3) manda adotar a contribuição unitária informada pela prestadora de saneamento ou medida em campo como 80 % do consumo médio histórico de água (mínimo um ano); só na falta desses dados valem os valores da Tabela 1 da norma, abaixo. A unidade é a pessoa para ocupantes permanentes e temporários (bares inclusive), o lugar em cinemas e teatros, a refeição em restaurantes, o passageiro em estações e a bacia sanitária em sanitários públicos. A tabela é a mesma do UnMEP Slope, lida do código, com uma diferença: em creche a norma dá 50 L/pessoa·dia e o Slope traz 20; corrija no cartão.

Tipo de utilização da edificaçãoC (L/unidade·dia)Lf (L/unidade·dia)
Residência padrão alto1601
Residência padrão médio1301
Residência padrão baixo1001
Hotel (exceto banheira, lavanderia e cozinha)1001
Alojamento provisório801
Fábrica em geral700,30
Escritório500,20
Edifícios públicos ou comerciais500,20
Escola de meio período500,20
Bares (por pessoa)60,10
Restaurantes e similares (por refeição)250,10
Cinemas, teatros e locais de curta permanência (por lugar)20,02
Sanitários públicos (por bacia sanitária)4804,0
Hotel com cozinha e lavanderia, exceto banheiro2401
Hotel com cozinha, lavanderia e banheiro3601
Orfanato, asilo1201
Escola (internato)1501
Presídio2401
Quartel1201
Área rural1001
Escolas de período integral1000,30
Creche50 (o Slope traz 20)0,20
Ambulatório250,20
Estação ferroviária, rodoviária e metroviária (por passageiro)250,20

A contribuição diária da edificação é N×CN \times C, com NN o número de unidades. Uma residência de padrão médio com 5 pessoas contribui 5×130=6505 \times 130 = 650 L/dia: é o exemplo que os artigos desta parte resolvem.

No UnMEP Slope, a contribuição é o primeiro cartão da aba Sistemas de Tratamento Individual: Nome de Referência para a Contribuição de Esgoto, Tipo de Utilização da Edificação (a tabela acima), Número de Pessoas (N), e os campos Contribuição de Esgoto (C) e Lodo Fresco (Lf) preenchidos pela tabela e editáveis. Todas as contribuições criadas somam nos sistemas da esteira. Passo a passo: Como dimensionar fossa, filtro e sumidouro?.

Fontes

  • ABNT NBR 17076:2024, Sistemas de tratamento individual de esgoto sanitário: projeto, construção e operação.
  • ABNT NBR 7229:1993, Projeto, construção e operação de sistemas de tanques sépticos (cancelada e substituída pela NBR 17076:2024, conforme o prefácio desta).
  • ABNT NBR 13969:1997, Tanques sépticos: unidades de tratamento complementar e disposição final dos efluentes líquidos: projeto, construção e operação (norma anterior; tabela 3).

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Atualizado em 14 de outubro de 2026