Como dimensionar o filtro anaeróbio (NBR 17076 e NBR 13969)
O volume útil do filtro anaeróbio pela contribuição diária e pelo tempo de detenção hidráulica, a tabela de tempo de detenção por temperatura e vazão, a altura útil mínima de 1,20 m e o diâmetro do filtro. Com exemplo resolvido e como o UnMEP Slope calcula.
O filtro anaeróbio é a unidade de tratamento complementar que recebe o efluente da fossa séptica. O esgoto entra por baixo, atravessa de fluxo ascendente um leito de brita (ou anéis plásticos) coberto por um biofilme de bactérias anaeróbias e sai por cima com a carga orgânica bem reduzida. O dimensionamento é por tempo de detenção hidráulica: o esgoto tem de ficar no leito o tempo suficiente para as bactérias trabalharem, e o volume ocupado pela brita precisa ser compensado.
O que a norma pede
O anexo D da NBR 17076:2024 mantém o método da NBR 13969:1997: volume útil pela contribuição diária, pelo tempo de detenção hidráulica e pela taxa que compensa o volume ocupado pelo material do leito, igual a 1,6 quando não se conhece o índice de vazios do material (D.2); volume útil mínimo de 1 000 L (D.2); altura útil, somando fundo falso e meio suporte, de pelo menos 1,20 m, com fundo falso de no máximo 0,60 m (D.2.3); brita de 5 a 7,5 cm quando o meio suporte é brita (D.7). O esgoto entra por baixo e se distribui pelo fundo falso (D.3) ou, no filtro totalmente preenchido, por tubos perfurados (D.3.2). O filtro é uma unidade de tratamento complementar: vem depois da fossa séptica, não recebe esgoto bruto.
Passo 1: contribuição diária
A mesma contribuição da fossa: unidades vezes litros por unidade por dia, da tabela de tipos de uso.
Passo 2: tempo de detenção hidráulica
Por faixa de contribuição diária e temperatura média do mês mais frio (tabela D.1, tempos mínimos):
| Contribuição diária (L/dia) | t < 15 °C | 15 a 25 °C | t > 25 °C |
|---|---|---|---|
| até 1 500 | 1,17 | 1,00 | 0,92 |
| 1 501 a 3 000 | 1,08 | 0,92 | 0,83 |
| 3 001 a 4 500 | 1,00 | 0,83 | 0,75 |
| 4 501 a 6 000 | 0,92 | 0,75 | 0,67 |
| 6 001 a 7 500 | 0,83 | 0,67 | 0,58 |
| 7 501 a 9 000 | 0,75 | 0,58 | 0,50 |
| 9 001 a 12 000 | 0,75 | 0,50 | 0,50 |
Valores em dias.
Passo 3: volume útil
A equação do item D.2 (a norma escreve onde aqui está ):
- : volume útil do filtro (L);
- : contribuição diária (L/dia);
- : tempo de detenção (dias);
- 1,6: a taxa de compensação pelo volume que o meio suporte ocupa (só cerca de 60 % do leito é vazio), adotada quando o material não tem taxa própria.
Se o resultado for menor que 1 000 L, adote 1 000 L (D.2).
Passo 4: diâmetro do filtro
Com a altura útil mínima da norma, m (D.2.3), o volume adotado de um filtro cilíndrico é , e o diâmetro mínimo é
Com mais de um filtro em paralelo, divida pela quantidade antes de calcular o diâmetro.
Exemplo resolvido
A residência de padrão médio com 5 pessoas, mês mais frio a 24 °C.
| Grandeza | Símbolo | Valor |
|---|---|---|
| Número de pessoas | 5 | |
| Contribuição por pessoa (residência de padrão médio) | 130 L/pessoa·dia | |
| Temperatura média do mês mais frio | 24 °C | |
| Taxa de compensação do meio suporte | 1,6 | |
| Altura útil do filtro | 1,20 m |
Passo 1 e 2: contribuição e tempo de detenção
Faixa de até 1 500 L/dia e temperatura entre 15 e 25 °C (tabela D.1): dia.
Passo 3: volume útil
Acima do mínimo de 1 000 L.
Passo 4: diâmetro
Volume do filtro comercial de Ø 1,20 m:
acima dos 1,04 m³ exigidos.
Como o UnMEP Slope calcula
O cartão Filtro Anaeróbio (FA1) abre a janela Filtro Anaeróbio:
- Contribuição Diária vem preenchida com a soma de todas as contribuições da esteira, editável.
- Temperatura Média do Mês mais Frio (de fábrica 24 °C) e a contribuição escolhem o Tempo de Detenção (Em Dias) na tabela do passo 2, exatamente com os cortes em 15 °C e 25 °C; o campo fica editável se você tiver dado melhor.
- Volume Mínimo Calculado do Filtro = , mostrado em m³. O Slope não aplica o piso de 1 000 L: abaixo disso, adote 1 000 L por conta própria.
- Diâmetro Ø e Quantidade de Filtros (1 a 10) dão o Volume Adotado do Filtro = quantidade, com a altura útil fixa em 1,20 m, o mínimo do item D.2.3. Abaixo do mínimo aparece O Volume adotado está abaixo do mínimo..
- Aplicar Familias insere a família UnMEP_PH_ESG_Filtro Anaeróbio (DN 600 a 3 000 mm) onde você clicar, e o memorial traz contribuição, tempo de detenção e volumes.

Passo a passo no plugin: Como dimensionar fossa, filtro e sumidouro? e Como aplicar as famílias do tratamento no projeto?.
Perguntas frequentes
Filtro anaeróbio é obrigatório? A fossa séptica sozinha não deixa o efluente em condição de lançamento: a NBR 7229:1993 já previa remoção de DBO de só 30 % a 55 % no tanque séptico e de 75 % a 95 % com filtro anaeróbio (tabela 5 do anexo B). O filtro é o tratamento complementar mais simples, e o efluente lançado em sumidouro tem de atender aos parâmetros do item K.2 da NBR 17076:2024 (DBO abaixo de 120 mg/L ou remoção de 60 %, entre outros).
Qual o tamanho do filtro anaeróbio para 5 pessoas? 1 040 L de volume útil em residência de padrão médio e clima quente; um filtro de Ø 1,20 m com 1,20 m de altura útil atende.
Por que o fator 1,6? Porque a brita ocupa cerca de 40 % do leito. Para o esgoto ter o volume de detenção calculado, o leito precisa ser 1,6 vezes maior. A norma chama esse fator de taxa de compensação e manda adotar 1,6 quando o material não tem índice de vazios conhecido (D.2).
O que vai dentro do filtro? Brita de 5 a 7,5 cm (D.7), ou outro meio suporte que permita biofilme, numa altura útil de pelo menos 1,20 m contando o fundo falso (D.2.3). O fundo falso tem furos de 2,5 cm somando ao menos 5 % da sua área (D.8); o esgoto entra por baixo dele e sobe pelo leito.
Fontes
- ABNT NBR 17076:2024, Sistemas de tratamento individual de esgoto sanitário: projeto, construção e operação (anexo D: equação D.2, tabela D.1, itens D.2.3, D.7 e D.8; anexo K, item K.2).
- ABNT NBR 13969:1997, Tanques sépticos: unidades de tratamento complementar e disposição final dos efluentes líquidos: projeto, construção e operação (norma anterior; item 4.1.1.1 e tabela 4, iguais aos da 17076).
- ABNT NBR 7229:1993, Projeto, construção e operação de sistemas de tanques sépticos (tabela 5 do anexo B, eficiências de remoção).
- Jordão, E. P.; Pessôa, C. A. Tratamento de Esgotos Domésticos. ABES, 8ª ed., 2017.
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Atualizado em 14 de outubro de 2026